Quando eu era pequeno sempre houvia histórias de terror que minha avó contava, fiquei até algumas noites sem dormir por causa disso. Eu era tolo e ingenuo na época, mas tinha uma história que ela contava sobre lenhadores, eu tinha medo disso (obviamente) mas gostava, gostava até vivenciar este fato terrível e assustador.
Eu já era bem grandinho na época, tinha 12 anos e minha avó resolveu levar eu e meu primo pra casa de uma comadre dela, num lugar bem no meio de uma densa floresta no interior do Piauí. Eu não gostava daquele lugar, não tinha nada pra fazer além de jogar milho para as galinhas que ciscavam por ali, sem contar que lá não tinha energia elétrica e ficava totalmente escuro. A pouca luz que tinha vinha de algumas lamparinas, minha vó resolveu contar suas histórias de terror (ela deve ter percebido que eu tava com medo). Ela contou logo a dos lenhadores, vou lhes contar essa lenda.
A Lenda dos lenhadores
Em algum lugar do norte do Piauí existia um local que era muito procurado por lenhadores, devido há existência de um tipo de árvore muito usada pra fazer moveis. Para pegar as melhores árvores, um pequeno grupo com 5 lenhadores saiu a noite no meio da mata. Chegando ao local indicado eles começaram a cortar as árvores com seus machados afiados, quando algo aconteceu: um dos lenhadores havia se machucado com um espinho de uma planta tipica da região e conhecida como Tucun, dois homens foram ajudar o amigo que estava ferido, enquanto os outros continuaram a cortar a madeira. Nesse momento um dos lenhadores que havia continuado a cortar as árvores grita pede por ajuda, os outros vão la para ver o que tinha acontecido, quando la chegam se deparam com o amigo com sendo devorado vivo por um bicho grande e com os olhos cor de fogo. Assustados, o resto do grupo começou a correr e conseguiram escapar, e na noite seguinte voltaram a cortar madeira, e mesmo aconteceu com cada um deles, foram mortos de forma cruel. Há quem diga que eles foram mortos por um espirito defensor da floresta, outros que eles foram atacados por uma onça, nunca se soube ao certo. Agora todas as noites de lua cheia, nas matas, escutasse um bater de machado ao longe, são eles, terminando o que haviam começado.
Minha avó terminou de contar a história e todos ficaram com medo mas riram no final, mas eu não. Mas tarde naquela mesma noite eu e meu primo estávamos jogando cartas quando escutamos batidas de machado vindas da floresta,eu (medroso como sempre) fiquei branco, e chamei o marido da comadre de minha avó, ele pegou a espingarda e umas lanternas e saímos eu, ele e meu primo, em direção a parte detrás da pequena casa. chegando la vimos o caminho que ia pra outra casa não muito longe, seguimos por ele e na metade do caminho comecei a sentir um cheiro de algo parecido com pinho
- deve ser só minha imaginação- pensei, más a medida que andávamos, o cheiro ia ficando cada vez mais forte, foi ai que meu primo sentiu o mesmo cheiro que eu estava sentindo e se assustou. Chegando próximo ao final do caminho, o som de machadadas parou, senti um vento frio estremecer as minhas pernas, e o som recomeçou, mas alto dessa vez, decidimos voltar, quando chegamos perto de casa vimos uma sombra branca saindo da mata e cruzar o caminho, arrastando um machado. Depois foi uma correria total, chegamos e nos trancamos dentro de casa enquanto o som continuava.
Desde aquele dia nunca mais voltei naquele lugar, pois essa lembrança me atormenta, da calafrios só de imaginar o pânico que senti ao ver aquela sombra cruzar a nossa frente....
Espero nunca ter que voltar la novamente...
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